segunda-feira, 21 de maio de 2018

Fatores externos e internos explicam alta do dólar, dizem economistas

Dolar-Moeda estrangeira/Marcello Casal jr/Agência Brasil

O dólar encerrou a semana com aumento de 3,85%, vendido a R$ 3,74 e ultrapassando a barreira dos R$ 4 nas casas de câmbio do país. Desde o começo do ano, a moeda norte-americana acumula alta de 11,3%. Economistas ouvidos pela Agência Brasil apontam que uma combinação de fatores internacionais, relacionados aos Estados Unidos, com preocupações domésticas, principalmente o cenário eleitoral, explicam a volatilidade do dólar, com tendência de alta ainda maior nas próximas semanas.
Com a economia em crescimento além do esperado e o desemprego em baixa, os EUA devem experimentar uma inflação acima da média dos últimos anos, obrigando o governo a aumentar taxa básica de juros do país para moderar os efeitos de uma pressão maior sobre os preços, como costuma ocorrer no Brasil quando a inflação cresce. Atualmente, a taxa de juros dos Estados Unidos está na faixa de 1,5% a 1,7% ao ano, mas o Federal Reserve (Fed), o Banco Central norte-americano, deve promover ainda mais duas elevações do índice até o fim do ano.
Com taxas de juros mais altas nos EUA, investidores com capital aplicado em países emergentes, como o Brasil, podem preferir tirar recurso do país e investir em títulos do Tesouro americano, os treasures, considerados os papéis mais seguros do mundo. Este é um dos efeitos que fazem com que o dólar se valorize em relação ao real. A menor oferta de moeda americana no mercado de câmbio nacional eleva o seu preço.
"Desde o ano passado, os investidores querem aproveitar melhor essa onda de alta dos juros nos EUA e estão aplicando em treasure. Por causa disso, um aumento do dólar já era esperado. Nossa projeção para o final do ano passado era um dólar a R$ 3,45", afirma o economista-chefe da agência de classificação de risco Austin Rating, Alex Agostini. O rendimento do treasure, por exemplo, rompeu a barreira dos 3% esta semana. O próprio Banco Central (BC) brasileiro já havia sinalizado essa preocupação ao decidir manter a taxa básica de juros em 6,5% ao ano, surpreendendo o mercado.
“O cenário externo tornou-se mais desafiador e apresentou volatilidade. A evolução dos riscos, em grande parte associados à normalização das taxas de juros em algumas economias avançadas, produziu ajustes nos mercados financeiros internacionais. Como resultado, houve redução do apetite ao risco em relação a economias emergentes”, diz trecho de comunicado divulgado pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do BC após a reunião desta semana.
"Esse fenômeno de valorização do dólar frente a outras moedas está ocorrendo em boa parte do mundo porque os EUA estão com uma economia mais forte e um consumo interno mais significativo. Aí se acrescenta o fato de que o Fed tem falado às claras que qualquer avanço econômico mais forte pode significar uma alta da taxa de juros, nisso todo mundo acaba se preparando para injetar dólar nos EUA, frear esse crescimento às expensas de atração de mercados de capitais", destaca o professor de economia e finanças internacionais da Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas da Fundação Getulio Vargas (FGV/Ebape) Istvan Kasznar.

Geopolítica

Para além da questão interna da economia norte-americana, a política externa do presidente Donald Trump explica boa parte da volatilidade do mercado de capitais ao longo ano e, em particular, nas últimas semanas. "É o efeito Trump, como a questão com o Irã [encerramento do acordo nuclear], que fez o preço do petróleo subir, afetando o dólar", aponta a economista Zeina Latif, da XP Investimentos.
Alex Agostini, da Austin Rating, lembra também o tensionamento comercial provocado por Trump com a China. "Tudo isso vai gerando um ambiente muito instável. Nesse ambiente, os investidores não pagam para ver nem apostam num desfecho X ou Y, eles simplesmente são cautelosos [na alocação de seus ativos]", destaca.

Fatores internos

Outro componente que influencia a volatilidade no mercado de câmbio está relacionado a questões domésticas, mais precisamente às perspectivas do cenário eleitoral de outubro, quando o país escolherá o próximo presidente da República. "As primeiras pesquisas eleitorais revelam que os candidatos que aparecem na frente teriam uma postura menos ortodoxa na economia, uma postura de ruptura na gestão atual da política monetária e isso gera sim uma preocupação. O Brasil atraiu muitos investidores nos últimos anos, mas aí muitos acabam optando por sair, mesmo que tenha boa oportunidade de ganho, porque ele prefere proteger seu ativo a arriscar para ganhar alguma coisa", argumenta Alex Agostini.
No conjunto de fatores internos, o professor Istvan Kasznar, da FGV, cita a proximidade das férias escolares de julho, quando aumenta o fluxo de turistas brasileiros para o exterior. "O mercado de câmbio se alimenta dessa demanda [das férias escolares], porque tem muita gente viajando para os EUA, a Europa", ressalta.

Mais aumento

Apesar da dificuldade de se fazer projeções em um mercado com alta volatilidade, economistas acreditam que, pelo menos no curto prazo, a moeda norte-americana deverá subir ainda mais. "Não se enxerga no curtíssimo prazo uma mudança dessa postura do Trump no comércio exterior e dificilmente a economia norte-americana terá uma reversão fazendo com que a taxa de juros do país caia. Nesse sentido, o dólar pode chegar na semana que vem a R$ 3,80 ou mais", prevê Alex Agostini.

"O que nós podemos perceber é que [a alta do dólar] tem aparência de consistência e permanência. Não vai para R$ 5, claro, mas é um ajuste técnico porque esses vários fatores estão simultaneamente na mesma direção de pressão de alta", afirma Istvan Kasznar, da FGV. 

Na opinião de Zeina Latif, da XP Investimento, a volatilidade deve continuar, mas não como mudança abrupta. Para ela, o cenário internacional hoje, "apesar de Trump", é "benigno". Nos últimos 12 meses, o comércio mundial cresceu 5%. Antes da crise econômica, crescia 7% e 8%, não é muito diferente. Comércio crescendo significa investimento crescendo. A inflação, no mundo, apesar do petróleo, está contida. São fatores que ajudam a digerir as questões geopolíticas. Trump conseguiu fazer um estrago, mas a tendência [é] de ir acalmando [com o tempo]", avalia. 
EBC


Para saber mais sobre o livro, clique aqui.

Para saber mais sobre o livro, clique na capa.

Para saber mais sobre o livro, clique na capa.

Para saber mais sobre o livro, clique na capa.

domingo, 20 de maio de 2018

ONU espera que economia global cresça 3,2% em 2018 e 2019


A economia global está superando as expectativas e registrará um crescimento de 3,2% em 2018 e 2019, segundo as previsões informadas pelas Nações Unidas nesta quinta-feira.
A organização adverte que esse progresso pode ser freado pelas crescentes disputas comerciais, a incerteza a respeito das políticas monetárias, os níveis de dívida e o aumento das tensões geopolíticas.
O relatório da ONU revisa levemente em alta as previsões feitas pela organização em dezembro do ano passado, embora mantenha as perspectivas de crescimento abaixo das feitas pelo Fundo Monetário Internacional (FMI).
Em abril, o FMI previu um crescimento global de 3,9% para 2018 e 2019, mas da mesma forma que as Nações Unidas alertou que as disputas comerciais e outros fatores podem reduzir esses números.
A ONU explicou nesta quinta-feira que a melhora das expectativas se baseia principalmente em um crescimento maior que o esperado nas economias desenvolvidas graças a uma alta dos salários, das condições favoráveis ao investimento e ao impacto em curto prazo das medidas de estímulo nos Estados Unidos.
Com a demanda global em aumento, o comércio internacional está se acelerando, segundo a ONU, que prevê que muitos países exportadores de matérias-primas se beneficiarão com a alta dos preços da energia e dos metais.
Apesar da alta dos preços, a ONU considera que as pressões inflacionárias continuarão contidas na maioria das economias.
EFE

Para saber mais sobre o livro, clique aqui.

Para saber mais sobre o livro, clique na capa.

Para saber mais sobre o livro, clique na capa.

Para saber mais sobre o livro, clique na capa.

sábado, 19 de maio de 2018

Congresso tem 40 projetos para novos penduricalhos em conta de luz



Para presidente do Acende Brasil, instituto responsável pelo mapeamento, propostas podem 'produzir um subsídio ainda mais custoso sobre o consumidor nacional'
Descontos para universidades, instituições filantrópicas, consumidores rurais, criadores de peixes, pessoas que vivem próximas a hidrelétricas e até para aquelas que moram, mais especificamente, no município de Angra dos Reis, no litoral sul do Rio de Janeiro, e dormem nas proximidades das usinas nucleares de Angra.

Essas são apenas algumas das dúzias de benesses que o Congresso Nacional quer enfiar na conta de luz do consumidor de todo o País, ampliando ainda mais a carga bilionária de subsídios que já pesa sobre a energia elétrica.

A pedido do Estado, o Instituto Acende Brasil, especializado no setor elétrico, fez um levantamento detalhado dos projetos de lei que tramitam no Congresso e que preveem a inclusão de novos subsídios sobre a conta de luz, custos que não têm relação alguma com a prestação de serviços de energia elétrica, mas que, segundo o Tribunal de Contas da União, já absorvem mais de R$ 4 bilhões por ano das tarifas em todo o País.

A análise mostra que, de 2013 para cá, nada mesmo que 49 projetos de lei que previam novos subsídios tramitaram no Congresso. Desses, apenas nove foram arquivados ou retirados pelo autor. Estão em plena tramitação, portanto, 40 projetos para beneficiar determinados grupos com descontos que devem ser bancados por todos.

Desses 40 projetos de lei, 22 já foram apreciados pela Comissão de Minas e Energia (CME) e apenas dois foram rejeitados, ou seja, 20 PLs estão em estágio avançado de tramitação e aptos a serem submetidos aos plenários do Congresso e, consequentemente, à sanção presidencial. Entre os 18 projetos que ainda não foram apreciados pela CME, cinco estão tramitando na Comissão.

Entre os pleitos estão descontos nas tarifas para municípios que possuem hidrelétricas em seu entorno e ampliação de benefícios para consumidores rurais, usuários de poços artesianos e aqueles que façam uso de práticas de aquicultura e irrigação, os quais já são atendidos por subsídios.

A lista infindável ainda contempla a proibição da suspensão do serviço por inadimplência e também a anistia de dívidas de consumidores. Moradores cidades com geração nuclear - Angra dos Reis é a única cidade do País que possui usina nuclear - também seriam beneficiados por descontos.

Não há mágica na conta de luz. Se alguém fica isento de pagar determinado valor, é porque outro está pagando essa conta. "Isso retrata o lado perverso que penaliza o consumidor de energia, com encarecimento na conta de luz", diz Claudio Sales, presidente do Instituto Acende Brasil. "É alarmante verificar a quantidade de iniciativas legislativas que podem produzir um subsídio ainda mais custoso sobre o consumidor nacional."

Auditoria realizada pelo TCU sobre os subsídios já incluídos na conta de luz da população revelou que, nos últimos cinco anos, essas gastos extras consumiram mais de R$ 17,5 bilhões.

O histórico do Congresso mostra que, em anos pós-eleição, costuma haver uma maior concentração de projetos de lei apresentados pelos parlamentares. Foi o que ocorreu em 2015, por exemplo. Dos 40 PLs em tramitação, 13 foram apresentados em 2015, quando o setor elétrico, relembre-se, já atravessa uma de suas piores crises financeiras, resultado da crise hídrica histórica e do conturbado processo de renovação das concessões de geradores, transmissores e distribuidores de energia.
André Borges, O Estado de S.Paulo

Para saber mais sobre o livro, clique aqui.

Para saber mais sobre o livro, clique na capa.

Para saber mais sobre o livro, clique na capa.

Para saber mais sobre o livro, clique na capa.


sexta-feira, 18 de maio de 2018

Submarino nuclear ficará pronto em 3 anos, diz Marinha



Protótipo em terra de equipamento está sendo montado no interior paulista; projeto consumiu cerca de R$ 10 bilhões em 4 décadas
O protótipo em terra do submarino nuclear brasileiro projetado pela Marinha ficará pronto em pouco mais de três anos. As obras do prédio onde o modelo em tamanho natural está sendo montado foram apresentadas ontem a jornalistas pelo almirante André Luis Ferreira Marques, diretor de Desenvolvimento Nuclear da Marinha, em Iperó, no interior de São Paulo.

O projeto consumiu US$ 2,5 bilhões (cerca de R$ 10 bilhões) nos últimos 40 anos. Outros R$ 2,2 bilhões serão investidos até dezembro de 2021, quando o submarino “terrestre”, equipado com o reator nuclear, entra em funcionamento a 200 quilômetros do mar. A versão definitiva, que vai para o oceano, no Rio de Janeiro, só ficará pronta entre 2028 e 2030.

Na avaliação do almirante, as crises econômicas vividas pelo País afetaram mais o projeto do que a Operação Lava Jato, que levou à prisão um dos idealizadores do programa, o ex-almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva, por denúncia de corrupção na Eletronuclear, que ele dirigiu após passar para a reserva na Marinha, em 2005. Othon, que sempre negou as acusações, foi libertado em 2017, graças a um habeas corpus.

“O TCU (Tribunal de Contas da União) acompanha o projeto desde o início e nunca tivemos problema desse tipo aqui. Quando vimos algo errado, abrimos sindicância e até inquérito militar, mas não deixamos avançar”, afirmou Marques.

As obras do estaleiro da Marinha em Itaguaí (RJ) também têm participação da Odebrecht, uma das empresas que foram alvo da Lava Jato. A empreiteira, no entanto, não realizou obras em Iperó.

De acordo com Marques, o programa sofreu grande contingenciamento financeiro entre 1997 e 2007, mas nunca parou. Na época, houve redução de 50% no número de funcionários. No ano passado, o projeto foi afetado indiretamente pela crise, que levou à insolvência muitas empresas fornecedoras de equipamentos e insumos.

Avanço. A conclusão do modelo em terra do submarino equipado com reator nuclear construído no Brasil será o segundo grande avanço do programa nuclear da Marinha. O primeiro ocorreu na década de 1980, com o domínio do enriquecimento de urânio - o combustível do submarino.

O marco foi a inauguração, em abril de 1988, da Usina Almirante Álvaro Alberto, pelo então presidente José Sarney, na presença do presidente da Argentina na época, Raúl Alfonsín. Os 30 anos da inauguração da usina de enriquecimento de urânio serão lembrados no dia 8 de junho, com uma visita dos presidentes atuais dos dois países, Michel Temer e Mauricio Macri, ao Centro Tecnológico da Marinha, em Iperó.

Os chefes de governo irão conhecer as obras do Laboratório de Geração de Energia Núcleo Elétrica (Labgene), onde o modelo padrão do submarino está sendo montado em ritmo acelerado. “Estamos tocando ao mesmo tempo as obras civis e a montagem do protótipo com o reator. O Labgene tem de ficar pronto primeiro, para que possamos qualificar o projeto do submarino que será construído no complexo naval de Itaguaí ”, disse o almirante.

O prédio tem paredes com 33 metros de altura e já abriga parte do casco do submarino - um cilindro de aço com 10 metros de diâmetro que terá cerca de 70 metros de comprimento. A escala do protótipo é de um metro por um, ou seja, o modelo em terra será similar ao que vai navegar.

O compartimento que abrigará o reator é considerado instalação nuclear e segue normas para licenciamento pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN). O conjunto de turbinas e o freio dinamométrico já estão instalados. A base para o motor elétrico de propulsão, de 7,4 megawatts, também está pronta. O próprio equipamento está em testes em laboratório vizinho.

Conforme o almirante, todos os componentes do reator nuclear já foram testados individualmente. O início da montagem está previsto para este ano. “É similar ao que vai equipar o submarino e será testado aqui antes.”

Programa.

Homens trabalham em prédio no interior de São Paulo onde modelo de submarino nuclear é montado

Meta do programa brasileiro é expandir conhecimento

ANÁLISE: Roberto Godoy

O programa nuclear da Marinha do Brasil é mais antigo que os 30 anos comemorados a partir da inauguração oficial do Centro Aramar, em Iperó, interior de São Paulo. O projeto começa bem antes, nos anos 70, ainda na sombra dos selos de “paralelo” e “secreto”, sob os quais se abrigava a pesquisa, ainda de viés estritamente militar. Alternativa ao caro e ineficiente acordo bilateral firmado em 1975 com o governo da Alemanha pelo então presidente Ernesto Geisel, o empreendimento, feito oficial e público pelo ex-presidente José Sarney, tem sido bem-sucedido. A rigor, acumula conhecimento sensível suficiente para dar ao País a capacidade de produzir armas nucleares - das quais o Estado brasileiro abdicou na Constituição de 1988 por meio de uma cláusula pétrea (artigo 21, inciso XXIII) - em tempo relativamente curto, coisa de um ou dois anos a contar de um eventual sinal verde.

As tecnologias que o Brasil adota permitiram o controle de todo o complexo ciclo do enriquecimento de urânio, uma forma de separar partículas atômicas usando máquinas de ultracentrifugação avançadas, criadas por especialistas da Marinha. A meta do programa, além de suprir a demanda dos futuros submarinos de propulsão nuclear da frota naval, é expandir a investigação científica independente nesse campo, facilitando o fornecimento de isótopos para uso em medicina e a construção das ultracentrífugas empregadas na produção de combustível para os reatores das usinas geradoras de energia. O projeto, talvez, seja a única iniciativa do gênero no mundo operada por uma organização militar que é submetida às inspeções da Agência Internacional de Energia Atômica (Aiea), de Viena, e da Comissão Nacional de Energia Atômica (CNEN), ambas entidades civis.
José Maria Tomazela, em O Estado de S. Paulo



Para saber mais sobre o livroclique aqui.

quinta-feira, 17 de maio de 2018

Um sistema para melhorar a gestão pública



O Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão apresentou no dia 15, em Brasília, um sistema gratuito para ajudar órgãos públicos na gestão de riscos, o chamado Ágatha.

Trata-se de uma ferramenta desenvolvida para documentar eventuais riscos nos processos internos da administração pública, oferecendo mecanismos de controle e de tratamento das inconformidades.

O ministro do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão, Esteves Colnago, lançou, em Brasília, o Sistema Ágatha, uma ferramenta para documentar eventuais riscos nos processos internos da administração pública. (José Cruz/Agência Brasil

A meta é que o Sistema Ágatha auxilie no acompanhamento dos planos de melhoria da gestão e apoie a tomada de decisão pelo gestor público.

Os gestores preenchem no sistema informações sobre o processo que desejam avaliar, fornecendo informações como quem é encarregado do processo, as normas internas a que o processo está submetido e os objetivos que pretendem ser alcançados, entre outros pontos.

O sistema, a partir dessas informações, calcula os riscos e fornece informações úteis aos órgãos para a tomada de decisão e para o gerenciamento e a manutenção dos riscos.

As informações fornecidas pelo Ágatha são todas dentro dos padrões definidos por instâncias fiscalizadoras, como o Tribunal de Contas da União (TCU).

"Mais um passo para que nossos gestores possam olhar os riscos que são embutidos em cada projeto, possam se preparar para esses riscos e buscar soluções para os mesmos", disse o ministro do Planejamento, Esteves Colnago.

Resultados

No sistema público, a gestão é dada por processos, ou seja, um conjunto ordenado de atividades de trabalho, com início e fim. Os processos têm como objetivo gerar resultados para a organização.

Segundo Colnago, o Ministério do Planejamento já mapeou 14 processos essenciais, com destaque para a transferência voluntária de recursos, aposentadoria e inscrição e ocupação da Secretaria de Patrimônio da União. Ao mapear a aposentadoria, o governo verificou, segundo o ministro, pagamentos indevidos.

"Isso apareceu de forma clara ao mapear processos e riscos envolvidos. Então, é muito importante que se adote isso de forma cada vez mais corriqueira e para todos os projetos envolvidos nos diversos orgãos", disse.

O sistema Ágatha, que visa facilitar esse mapeamento, está disponivel para download gratuitamente na internet.
Agência Brasil


Para saber mais sobre o livro, clique aqui.

quarta-feira, 16 de maio de 2018

Maioria das instituições federais não têm condições mínimas de serviços públicos, aponta estudo do TCU



Apenas 3% dos serviços públicos com participação federal no Brasil funcionam bem e são prestados de forma adequada à população. Outros 58% não possuem condições mínimas de qualidade, e 39% estão em estágio intermediário. É o que revela um estudo inédito do TCU (Tribunal de Contas da União) em parceria com o Centro de Estudos Avançados de Governo e Administração da UnB (Universidade de Brasília) concluído no início deste ano.

O levantamento aplicou pela primeira vez uma série de índices internacionais na avaliação de 488 organizações ligadas à administração pública federal ao longo de 2017. A conclusão é que o Brasil tem avançado em seus índices de governança e gestão, mas ainda está muito longe de ter uma administração pública que atenda bem às necessidades dos cidadãos. Das instituições analisadas, apenas 14 (2,86%) foram bem avaliadas em todos os quesitos averiguados.

A análise inclui instituições ligadas aos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário: foram avaliadas 114 instituições de ensino, 11 instituições militares, 22 ministérios, 20 órgãos da administração executiva direta, 15 paraestatais, 91 tribunais, 36 unidades de saúde, 38 autarquias, 11 bancos, duas Casas Legislativas, 99 conselhos profissionais e/ou estaduais, sete serviços de apoio à Justiça, 15 fundações e sete fundos públicos de recursos.

O relatório do tribunal de contas conclui que a maioria das instituições analisadas "não possui capacidade minimamente razoável de entregar o que se espera delas para o cidadão, gerindo bem o dinheiro público, cumprindo com suas competências e minimizando os riscos associados à sua atuação".

Para fazer o estudo, foi aplicado o IGG (Índice de Governança e Gestão) nas instituições analisadas. Ele é composto por uma média de outros quatro pontos: governança pública; gestão de pessoas, gestão de TI (tecnologia da informação) e gestão de contratações. Com base em tudo isso, o IGG mede os resultados que determinada instituição pública oferece.

Os índices acima foram criados pelo TCU, com apoio da UnB, e usam como base outros índices e padrões adotados internacionalmente como o "Cobit 5" --um conjunto de normas e boas práticas de auditoria financeira aplicadas aos ambientes de TI, criado pela Isaca (Associação Internacional de Controle e Sistemas de Audição) e adotado como referência por diversos países. Parâmetros de medição da ONU (Organização das Nações Unidas) e o "Referencial Básico de Governança", criado pelo TCU também com base em padrões internacionais, também são usados na avaliação.

Na pesquisa, as instituições foram agrupadas por estágio de desenvolvimento, variando entre "inicial", "intermediário" e "avançado", nos quais o resultado é considerado ruim ou insuficiente, regular e bom, respectivamente.

O cenário mais preocupante é o de gestão de pessoas, no qual 69% das organizações estão no estágio inicial de governança. A gestão de contratações também apresenta quadro crítico, com 56% da amostra em estágio inicial, seguida da gestão de TI com 50% no referido estágio.

"Esse diagnóstico explica parcela significativa da dificuldade das organizações públicas e da falta de confiança do cidadão no governo como um todo, pois deficiências na governança impedem que a administração pública faça entregas sustentáveis à sociedade bem como que as decisões sejam tomadas exclusivamente para impactar de forma positiva a vida do cidadão", diz o documento.

A situação identificada "coloca em risco a capacidade de entrega das organizações, diminui a quantidade de resultados que poderiam ser gerados com os mesmos recursos investidos, além de, em algumas situações, gerarem riscos de desvinculação entre as decisões tomadas e o interesse público", afirma o relatório do órgão de controle.

Apenas 40% das instituições analisadas, por exemplo, possuem mecanismos para identificar e tratar casos de conflitos de interesses envolvendo alta administração e/ou conselho de direção. "Esse resultado sugere que, em grande parte das organizações, não existem, ou são deficientes, os controles que mitiguem o risco de que os integrantes do alto escalão das organizações atuem vislumbrando interesse diverso do interesse público", afirma o relatório.

"Os resultados fracos sugerem que as boas práticas de governança pública corporativa não são adotadas na maior parte das organizações. Como regra geral, há pouco acompanhamento da estratégia organizacional, dos resultados e do desempenho da alta administração. São essas as práticas que instâncias de governança funcionais supervisionam. A consequência esperada da debilidade das instâncias e dos processos de governança é a dispersão de energia e de recursos, além da maior vulnerabilidade à fraude e à corrupção", conclui o estudo.

Para o professor Gustavo Fernandes, do mestrado de gestão e políticas públicas da FGV (Fundação Getúlio Vargas), o resultado do estudo do TCU não surpreende. "Muito esquisito seria se o resultado fosse diferente", afirma Fernandes.

"O grande problema da máquina pública no Brasil pode ser resumido em uma palavra: planejamento, ou a falta dele. Uma gestão bem feita depende de um planejamento de longo prazo, o que no Brasil infelizmente não acontece", diz. "Cabe aqui ressaltar que não estamos falando de má-fé, de corrupção, e sim de ineficiência e incompetência, o que é até mais grave", diz ele.

"Essa falta de planejamento acontece por dois motivos principais. O primeiro é a falta de capacidade técnica da gestão, e o outro é essa estrutura do nosso ciclo eleitoral em todas as esferas, que estimula os governantes a visões e planejamentos de curto prazo."

Para Fernandes, outro problema por trás de nossa estrutura governamental é a burocracia, excessivamente rígida e ineficiente. "Nossos regulamentos não falam em vinculação de resultados, apenas em vinculação de receitas. Assim fica difícil de cobrar e estabelecer metas claras, quando não se sabe aonde quer chegar nem em quanto tempo. Não existem mecanismos claros que verifiquem a eficiência", afirma o professor. Para ele, um exemplo claro de comparação é o planejamento envolvido na construção de um navio porta-aviões.

"Quando o governo dos EUA começa um projeto desses, é com um planejamento de 50 a 70 anos para o futuro. Tem que pensar como a sua tecnologia e a dos rivais vai evoluir, como esticar a vida útil da embarcação, formas de adaptá-la ao longo dos anos. No Brasil, algum planejamento que pense cinco anos para frente já é considerado um planejamento de longo prazo, essa mentalidade tem que mudar."

O professor alerta ainda que os padrões de governança e gestão na administração federal são consideravelmente melhores que os encontrados na maioria dos estados e municípios. "Quando você desce do nível federal, é só ladeira abaixo nesses quesitos, salvo uma rara e nobre exceção ou outra. Fosse aplicada esta análise nestas esferas, os resultados certamente seriam ainda piores."

Procurado pela reportagem por meio de sua assessoria de imprensa, o Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão, órgão responsável por desenvolver essas ações no âmbito do governo federal e que recebeu recomendações para aprimorar a governança e gestão de forma geral, não respondeu aos questionamentos.
UOL Notícias

terça-feira, 15 de maio de 2018

Uma forma simples e criativa para entender "planejamento"

Coleção Quasar K+: 

Livro 1: Quasar K+ Planejamento Estratégico;
Livro 2: Shakespeare: Medida por medida. Ensaios sobre corrupção, administração pública e administração da justiça;
Livro 3: Nikolai Gogol: O inspetor geral. Accountability pública; Fiscalização e controle;
Livro 4: Liebe und Hass: nicht vergessen Aylan Kurdi. A visão de futuro, a missão, as políticas e as estratégias; os objetivos e as metas.


O que é a metodologia Quasar K+ de planejamento estratégico?

QUASAR K+ é uma metodologia que procura radicalizar os processos de participação cidadã através de três componentes básicos:
a.Planejamento;
b.Educação e Teatro;
c.Participação intensiva.

Para quem se destina a ferramenta?

A metodologia QUASAR K+ foi desenvolvida para se constituir em uma base referencial tanto para as pessoas, os indivíduos, como para as organizações. Portanto, sua utilização pode ensejar a modernização desde o simples comércio de esquina ao grande conglomerado corporativo. Mas, também, os projetos de crescimento e desenvolvimento individuais, a melhoria das relações familiares...

Fazendo uso da metodologia QUASAR K+ poderemos descortinar novos horizontes nos habilitando a fazer mais e melhor com menor dispêndio de recursos.

Qual a razão desta metodologia?

Nas democracias modernas as sociedades se mostram tanto mais evoluídas e sustentáveis quanto mais aprimoram a qualidade da participação na vida organizacional, política e social.

Para que a participação se revista de qualidade se faz necessário dominar um conjunto de técnicas e instrumentais capazes de impregnar o processo de maior eficácia.

É deste contexto que emerge a metodologia QUASAR K+: disponibilizar técnicas específicas ancoradas em valores e princípios da educação e do teatro, incorporando - como eixo estruturante - as ferramentas do planejamento.

Portanto, é uma metodologia que busca assegurar qualidade à consecução dos objetivos, estratégias e metas traçados.

Por conseguinte, a aplicação da tecnologia possibilitará que nossa inserção e participação nos ambientes de estudo, trabalho, entretenimento e moradia, se verifique de maneira progressivamente mais satisfatória. Ao mesmo tempo em que nos empodera:

- eleva a autoestima – na medida em que tomamos consciência da evolução de nossa capacidade produtiva, da habilidade adquirida para interagir e contribuir com a família, o grupo social, a organização, a sociedade;

- incorpora ganhos sociais para a família, a escola, a instituição em que trabalhamos e a comunidade onde moramos, considerando que os produtos e resultados de nossa intervenção direta passam a ostentar qualidade diferenciada, mais fina, apurada e consentânea com as aspirações por um mundo melhor e mais justo.

De maneira estruturada, o livro enfoca:
- Planejamento e Administração
- O setor público
- Empreendedorismo & iniciativa privada
- Participação intensiva & terceiro setor
- Cidadania
- Qualidade Total
- Educação & Teatro
Para saber mais sobre o livro, clique na capa.

Para saber mais sobre o livro, clique na capa.

Para saber mais sobre o livro, clique na capa.

segunda-feira, 14 de maio de 2018

Satélite brasileiro leva internet a 0,1% dos pontos


Um ano após ter sido lançado ao espaço, o primeiro satélite integralmente controlado pelo Brasil foi usado para levar banda larga a menos de 0,1% dos locais planejados inicialmente, devido a uma briga judicial que envolve a Telebras e empresas de telecomunicações e já foi parar no Supremo Tribunal Federal (STF). É o que mostra reportagem de Helton Simões Gomes, G1. O Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC) completou aniversário de um ano da decolagem nesta sexta-feira (4), após consumir R$ 2,78 bilhões em investimentos. Parceria entre o Ministério da Defesa e a Telebras, o SGDC tem seu uso compartilhado entre militares e civis. O Exército usa 30% da capacidade do equipamento para conectar suas instalações, como postos da fronteira. Já empresa de capital misto usa o restante para fornecer conexão contratada por diversos órgãos do governo federal. O negócio foi modelado para que a Telebras contratasse uma empresa para instalar a infraestrutura de rede em todo o Brasil. Em contrapartida, ela poderia explorar a capacidade não utilizada para ofertar seus próprios serviços de banda larga.

PREJUÍZO DE R$ 100 MILHÕES

Após manter um processo de chamamento público aberto por oito meses e não encontrar interessados, a Telebras passou a receber propostas privadas. No começo do ano, escolheu a norte-americana Viasat, que até então não atuava no país. 'Com o contrato assinado, a gente começou a ativar os primeiros pontos. Tínhamos 500 pontos para ativar em abril. Conseguimos fazer 4', afirma ao G1 o presidente da Telebras, Jarbas Valente. São um ponto de fronteira e três escolas, uma delas localizada na cidade de Paracaima, em Roraima, a porta de entrada dos imigrantes venezuelanos. Ele afirma que, desde então, o prejuízo já chegou a R$ 100 milhões. Como em maio, a previsão era levar conexão a outros 1 mil pontos, as perdas passam a ser de R$ 800 mil por dia. Esses são pontos de acesso previstos pelo Programa Nacional de Banda Larga, carro-chefe do governo federal para levar conexão de internet a regiões isoladas. A Telebras deveria instalar 8 mil postos até o fim do ano e 15 mil até março de 2019. A Viasat, no entanto, foi impedida de fechar novos contratos por uma decisão judicial. No fim de março, a empresa Via Direta Telecomunicações conseguiu na Justiça do Amazonas uma liminar para suspender o acordo entre Telebras e Viasat. A companhia amazonense disse que foi preterida do processo depois de iniciar as negociações para operar parte da capacidade do satélite. Também lançou dúvidas sobre a soberania do Brasil, já que uma empresa estrangeira operaria um satélite que também atendia o Exército brasileiro.

SOBERANIA NACIONAL

A Telebras perdeu na segunda instância e o processo foi parar no Superior Tribunal de Justiça. Por envolver uma questão constitucional, o da soberania nacional, a presidente Laurita Vaz o encaminhou ao STF. Nesta semana, a relatora do caso na Suprema Corte, a presidente Carmen Lúcia pediu que a Procuradoria Geral da República se manifestasse, o que deve ocorrer na próxima semana. Em paralelo a isso, a Justiça do Amazonas decidiu nesta quinta-feira (3) que a Telebras deve cessar o fornecimento de internet nos pontos em funcionamento caso não comprove ter sido ela e não a Viasat a responsável pela instalação dos equipamentos nesses locais. ATelebras afirma ainda não ter sido notificada.

SEM LICITAÇÃO

Enquanto essa briga ocorria, a Telebras enfrentou outros dois reveses. O sindicato das teles (Sinditelebrasil) e o que representa as empresas de telecomunicações por satélite (Sindisat) acionaram o Tribunal de Contas da União (TCU) e o Conselho de Administração de Defesa Econômica (Cade) sobre as condições em que a Telebras contratou a Viasat. O G1 procurou as associações, mas não obteve resposta até a publicação deste texto. Valente afirma que, após não encontrar interessados em participar do chamamento, a Telebras passou a receber propostas privadas. A prerrogativa é permitida pela Lei das Estatais, caso o processo 'não possa ser repetido sem prejuízo a empresa pública' e 'desde que mantidas as condições preestabelecidas'. As associações questionam se as mesmas condições submetidas às empresas representadas por elas foram mantidas para a Viasat. Valente diz que a condição era a de implantar em todo o Brasil equipamentos de rede, como antenas de recepção de satélite, além de instalar cinco centros de controle (Brasília, Rio, Campo Grande e Florianópolis e um backup em Salvador). 'Muitas delas acharam que isso era (do setor) público, não era política delas e não tinham interesse', diz o presidente da Telebras. 'Quem atendeu 100% e também viabilizou do ponto de vista econômico foi a Viasat'. O plano é que a norteamericana invista R$ 500 milhões em infraestrutura e a Telebras entre com R$ 50 milhões.

Tribuna da Bahia





Para saber sobre o livro "Quasar K+", clique aqui.



Para saber sobre o livro "Respiração, voz e dicção", clique aqui.


Para saber sobre o livro "Comunicação estratégica", clique aqui.


Para saber sobre o livro, clique aqui.

domingo, 13 de maio de 2018

Pimco dá alívio à Andrade Gutierrez, mas cobra caro


A gestora americana Pimco, credora da Andrade Gutierrez, garantiu fôlego extra à companhia ao refinanciar, por três anos, uma dívida vencida na semana passada. No entanto, cobrou caro pelo alívio.

A Pimco vai subscrever US$ 540 milhões em bônus com vencimento em 2021 a serem emitidos pela Andrade Gutierrez, de acordo com quatro fontes a par do assunto. Com a operação, que deve ser liquidada hoje, a empresa quitará US$ 345 milhões em títulos que deveriam ter sido honrados em 30 de abril. Quase a totalidade desses papéis está em fundos da gestora, um dos maiores investidores do mundo em títulos de renda fixa. O dinheiro remanescente será usado para pagar debêntures que estão nas mãos de Banco do Brasil (BB) e Bradesco.

Na prática, a Pimco vai trocar os títulos vencidos e não pagos pela Andrade Gutierrez por papéis muito mais rentáveis e garantidos pelo ativo mais valioso do grupo - as ações da CCR.

Os novos bônus pagarão cupom de 13,5% ao ano em dólares, enquanto os papéis antigos tinham taxa de 4% ao ano. A operação será lastreada pela participação da Andrade Gutierez na companhia de concessões rodoviárias. O contrato de cessão fiduciária das ações pode dar à Pimco até mesmo acesso a dividendos da CCR em determinadas condições.

A Andrade Gutierrez, em contrapartida, ganha tempo. A empresa ficou inadimplente ao deixar de pagar os bônus na semana passada, e estava desde então sob risco de vencimento antecipado de outras dívidas.

Para que o acordo pudesse ser concretizado, a Andrade Gutierrez terá de pagar aproximadamente R$ 1 bilhão em debêntures que estão com o BB e o Bradesco. Foi uma condição para que os dois bancos liberassem o uso de ações da CCR em garantia à Pimco. Parte dos papéis da concessionária já servia de lastro a empréstimos com essas instituições e havia restrições à utilização deles em outros contratos.

Isso exigiu uma triangulação. A Pimco concordou em colocar na operação mais dinheiro que o montante dos bônus vencidos. Com a sobra, a empresa quitará a dívida com os bancos e estes, por sua vez, vão liberar as garantias.

Antes de chegar a esse desenho, a companhia chegou a negociar empréstimos com o BTG Pactual e com investidores brasileiros e americanos, mas as conversas não foram adiante.

Com gestão e estratégia reformuladas, a Andrade Gutierrez é vista no mercado como um bom ativo, mas espremido em termos financeiros. Há duas semanas, o Tribunal de Contas da União decretou o bloqueio de R$ 508 milhões em bens da companhia. Após a Lava-Jato, o grupo decidiu se afastar dos negócios com o setor público e colocou o foco em obras privadas e na área de concessões.

Procuradas pelo Valor, a Andrade Gutierrez não comentou o assunto e a Pimco não retornou os pedidos de entrevista.

Com estratégia diferente, a Odebrecht também tenta levantar recursos para pagar R$ 500 milhões em bônus que venceram em abril. A empresa costura um empréstimo de R$ 2,2 bilhões com Bradesco e Itaú Unibanco, mas os bancos exigem preferência no acesso a garantia em ações da Braskem. Para isso, é necessária a aprovação de BB e BNDES, o que ainda não aconteceu. As negociações têm avançado, mas lentamente.

Por Talita Moreira, Vanessa Adachi e Silvia Rosa, no Valor Econômico






Para saber sobre o livro "Quasar K+", clique aqui.



Para saber sobre o livro "Respiração, voz e dicção", clique aqui.


Para saber sobre o livro "Comunicação estratégica", clique aqui.


Para saber sobre o livro, clique aqui.